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Sem dúvida, você já teve ter lido e ouvido inúmeras vezes a frase do título deste artigo. Mas você sabe que ela é derivada da “Sátira X” do poeta e retórico romano Juvenal?

Seu nome completo era Décimo Júnio Juvenal, nascido no ano 55 d.C. em Aquino (Itália), e falecido em Roma no século II. Ele deixou em seus poemas uma imagem crítica e mordaz da sociedade romana do século I e que permanece admirável ao longo dos séculos.

No contexto, a frase é parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida: Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são. Peça uma alma corajosa que não tenha medo da morte, que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza, que suporte qualquer tipo de labuta, desconheça a ira, nada cobice e creia mais nas aflições e trabalhos árduos de Hércules do que nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental. O que eu recomendo a você, você pode dar a si mesmo; Certamente, o único caminho para uma vida de paz é a virtude.

Virtude vem da palavra grega aretê, que pode ser traduzida para excelência de caráter. Vale a pena conhecer um pouco mais do que os filósofos estoicos pensavam sobre a vida, como vivê-la e sobre virtude.

O Estoicismo é uma escola e doutrina filosófica surgida na Grécia Antiga, que preza a fidelidade ao conhecimento e o foco em tudo aquilo que pode ser controlado e administrado pela própria pessoa, que está ao seu alcance. Como viver uma boa vida em um mundo imprevisível? Como fazer o melhor dentro das nossas possibilidades aceitando, ao mesmo tempo, o que está fora do nosso controle? Essas são as questões centrais do estoicismo, filosofia criada há mais de 2.000 anos.

A filosofia estoica propõe que os homens vivam em harmonia com a natureza - o que, para eles, significa viver em harmonia consigo próprios, com a humanidade e com o universo. Então, é importante ter primeiramente isso em mente: quando falamos de virtude no Estoicismo, falamos em buscar excelência em tudo o que fazemos, em buscar ser o nosso melhor, em buscar o nosso progresso moral. A ideia de excelência de caráter passa por compreender que ter a virtude como propósito e como meta é ter o desenvolvimento do caráter como prioridade. Para os estoicos, o bem maior - o summum bonum - é a virtude. Esta é o caminho essencial da vida, não importa quão difícil seja o momento. A virtude nos força a não nos entregarmos ao meio, mesmo cercado por egoísmo ou traição.

Apenas seguindo a virtude, podemos alcançar a felicidade. Como diriam os estoicos, apenas pela virtude podemos viver uma vida com eudaimonia, a vida que flui e que floresce. E é com a virtude que nós voltamos ao bem comum. Essa é a ideia estoica por trás da recorrente defesa da virtude como o caminho a ser seguido.

Além disso tudo, é preciso entender que, para os estoicos, a virtude é um fim em si, não sendo uma característica que se faz para se obter algo em troca. Ela deve ser a prática e a recompensa, e assim ela nos leva à felicidade por agir de tal forma. Se nossas ações são virtuosas e estamos sempre buscando a excelência, estaremos mais perto da tranquilidade da alma, de uma vida com menos inquietações. Assim, a vida próspera é a vida virtuosa, onde a virtude é boa, e o vício é ruim.

Epíteto, ou Epicteto, foi um importante filósofo grego estoico que viveu a maior parte de sua vida em Roma. Nasceu em 50 d.C. em Hierápolis (hoje Turquia) e faleceu aos 88 anos em Nicópolis (Grécia). Um dos objetivos principais de sua filosofia é a busca da felicidade. Para ele, o passo básico da vida feliz é aceitar as coisas como elas são. Revoltar-se contra os fatos não altera os altera, e ainda traz uma dose de tormento desnecessária. “Não se deve pedir que os acontecimentos ocorram como você quer, mas deve-se querê-los como ocorrem: assim sua vida será feliz”, dizia ele. Dito de outra forma: não espere que o mundo seja como você deseja, mas sim como ele realmente é. Dessa forma, você terá uma vida tranquila.

Também dizia Epíteto: “Para ser feliz o homem deve procurar mudar apenas o que pode ser mudado. As coisas que não podem ser mudadas devem ser aceitas como elas são. Assim, devemos aceitar a realidade. Devemos fazer a diferenciação do que é útil (para ser seguido) e inútil (para ser descartado)”.

Para quem vê conformismo nessas palavras, uma ressalva: eles não estão propondo que você seja passivo em relação à vida, mas que aceite as coisas que estão além do seu controle e que já aconteceram.

Se pudermos viver com sabedoria, guiados pela razão e informados pelas emoções da nossa reação ao mundo interno e externo, vamos florescer e realizar nosso potencial como seres humanos. O criador nos deu essa capacidade, cabe a nós usá-la de maneira apropriada.

Um outro grande filosofo estoico foi Sêneca e que dizia: “A maioria dos homens míngua e flui em miséria entre o medo da morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda não sabem como morrer. Por essa razão, torne a vida como um todo agradável para si mesmo, banindo todas as preocupações com ela. Nenhuma coisa boa torna seu possuidor feliz, a menos que sua mente esteja harmonizada com a possibilidade da perda. Portanto, encoraje e endureça seu espírito contra os percalços que afligem até os mais poderosos.”

Para os estoicos, a vida não é em si uma coisa boa, mas uma oportunidade. E o que importa é o que fazemos dela. Um sábio, um homem ou uma mulher bons podem fazer algo útil com suas vidas; uma pessoa má ou tola pode fazer algo ruim com sua vida.

Sêneca dizia que “os homens são perturbados não pelas coisas, mas pelas opiniões que eles têm delas. Por exemplo, a opinião que reina em relação à morte, eis o que a faz parecer terrível a nossos olhos. Por conseguinte, quando estivermos embaraçados, perturbados ou penalizados, não o atribuamos a outrem, mas a nós próprios, isto é, às nossas próprias opiniões. Quem acusa os outros pelos próprios infortúnios revela uma total falta de educação; quem acusa a si mesmo mostra que a sua educação já começou; mas quem não acusa nem a si mesmo nem aos outros revela que sua educação está completa.”

Ele está dizendo que são nossas opiniões sobre as coisas que vão determinar se vamos ou não ficar incomodados a respeito delas. Na verdade, são nossas opiniões que vão determinar nossas emoções e a sequência dos nossos pensamentos e atos. E indo ainda mais longe, são os nossos juízos de valor, baseados em nossas crenças e valores mais profundos, que nos levam a ficar aborrecidos, sofrer em relação às coisas. Mas em vez de tentar suprimir (essas emoções), devemos confrontar as crenças que levam a elas, transformando-as em emoções saudáveis.

A busca do autocontrole é central à filosofia estoica. Mas para isso é importante sabermos distinguir o que está sob o nosso controle. Em resposta a essa pergunta, Epiteto criou duas listas:

• “As coisas que estão sob nosso controle são nossos julgamentos, opiniões e valores que escolhemos adotar. E o que não está sob nosso controle é todo o resto, além de tudo o que é externo. O externo aqui inclui minha reputação, minha riqueza e até meu próprio corpo.”

• “Você pode influenciar seu corpo, manter uma dieta saudável, fazer exercícios, ter hábitos saudáveis. No final, porém, seu corpo não está sob seu controle. Você pode pegar um vírus ou sofrer um acidente e quebrar sua perna.” Segundo o filósofo italiano Massimo Pigliucci, essa distinção permite perceber que se as únicas coisas que estão sob seu controle são seus julgamentos, opiniões e valores, é neles que você deve manter seu foco.

A ideia é de que nossas emoções não são separadas dos nossos pensamentos, crenças e juízos de valor. Mas que nossas emoções, com muita frequência, são determinadas pelo tipo de juízos de valor que fazemos. E esses juízos são crenças que podem ser verdadeiras ou falsas e, portanto, podemos aprender a avaliá-las, questioná-las e alterá-las.

Portanto, a virtude é uma sucessão de sutis reajustes de nosso caráter ao longo da vida inteira. Afinamos progressivamente nossos pensamentos, palavras e atos, como se fossem instrumentos musicais, para um desempenho mais sadio, e uma vida com mais felicidade.

 

Dr. Carlos Hanzani
Médico Homeopata e Psicanalista

 

 

 

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