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Com este título com a famosa frase da professora Angela Davis, nós brasileiros precisamos admitir e reconhecer que o Brasil é racista, que somos racistas e que racismo é um problema a ser combatido por toda a sociedade.

A negação do racismo, segundo Lia Schucman, Pesquisadora e Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, vem da ideia de raça do século XIX, quando os brancos eram considerados superiores aos outros pela questão fenotípica. Reconhecer o problema é uma questão fundamental para que possamos acabar com ações e argumentos de que todos somos iguais quando o debate é para que os brancos renunciem a seus privilégios.

 

 

Manoel Soares, apresentador do programa É de Casa, da TV Globo, em seu TED TALK descreve o que uma pessoa branca precisa para ser para ser racista. Ele salienta que a sociedade está doente e interrompendo processos de reflexão. Quando os pais dizem que as crianças não podem falar de determinada maneira por ser uma atitude racistas, esses pais não afirmam que essa atitude foi racista e nem procuram entender o problema de frente. Manoel complementa que a branquitude foi afetada pelo racismo e precisa se colocar em situações de desconforto, conversando, descontruindo e buscando soluções para eliminar o problema. Todos nós devemos buscar saber onde guardamos nosso racismo e diminuir esse abismo das desigualdades.

Ismael Ivo, coreógrafo negro que foi o responsável pelo ballet da cidade de São Paulo, reconhecido mundialmente pelo profissionalismo e elegância, e que foi mais uma vítima do Covid, disse em uma das últimas entrevistas que “o racismo é improdutivo”, e questionou: “Que sociedade desejamos para nossas famílias? As ações antirracistas são urgentes e necessárias.”.

O ator e comediante Paulo Gustavo, que também faleceu por Covid no início do mês de maio foi um exemplo de iniciar o movimento de ocupações nas redes sociais. Ou seja, os artistas brancos com muitos seguidores cedendo seus perfis para personalidades negras serem vistas e divulgadas para toda a sociedade. No caso ele cedeu o dele para Djamila Ribeiro.

Segundo a pesquisadora Schucman, quando os brancos se identificam individualmente com mortes brancas, e não se abalam da mesma forma com as mortes diárias de quase 100 jovens negros no Brasil (dados antes do Covid), isso se chama pacto narciso entre brancos, o que retrata o silenciamento das pessoas brancas sobre a questão de racial e a invisibilidade da ideia de raça para elas. O conceito foi desenvolvido pela Professora e Doutora em Psicologia Maria Aparecida Bento.

 

 

Djamila Ribeiro publicou o “Manual antirracista”, baseado no livro “How to be an anti-racist”, de Ibram X. Kendi, e ambas as obras ressaltam práticas antirracistas como:

1. Reconhecer práticas de racismo e se posicionar como brancos verdadeiramente aliados.

2. Ler, estudar e divulgar autores negros possibilitando ao próprio negro criara suas próprias narrativas de sua história e produção.

3. Oportunidade de trabalho para negros em todas as áreas do mercado ressaltando a importância da representatividade.

4. A branquitude assumir sua condição de privilégios e deve ser entendida como raça. Todos teremos que lutar juntos para uma sociedade igualitária.

5. Extensão e implementação de projetos antirracistas como ações afirmativas, lei 10639, educação antirracista etc.

Esses são alguns exemplos dentre outras ações que toda a sociedade pode se integrar na luta antirracista. Todas as pessoas podem contribuir diretamente no seu cotidiano, na sua escola, no seu trabalho, na sua comunidade, na igreja, no clube e em todos os ambientes carregados de sutilezas que há muito tempo naturaliza uma superioridade branca. Um exemplo de uma ação antirracista é esta coluna que escrevo na Cia Brasil Magazine.

O trabalho do antirracista é desenvolver práticas para naturalizar a cultura negra na sociedade brasileira, assim como todas as outras. O racismo é muito violento, desumaniza e massacra um povo que já vem resistindo a décadas situações de opressões e desigualdades, herdadas pela nossa colonização portuguesa.

Negar o problema não é uma solução inteligente. Mais do que nunca é urgente que a sociedade se una para a cura de um país doente, com grande crescimento de desemprego e outros problemas sociais, sendo que poderia ser um país promissor. Os esforços de todas as esferas precisam gerar desconforto, assim como sempre como nós negros aprendemos a lidar com isso em todos os lugares que estamos.

É preciso entender que a comunidade negra é diversa e plural. Não somos iguais e nem queremos ser. A luta antirracista não é contra pessoas brancas, mas contra atitudes racistas e opressoras que vêm destruindo a identidade e humanidade do povo negro. Todos têm o direito de ter um lugar ao sol, independente de sua cor da pele, raça ou etnia.

 



Por Terezinha Ribeiro
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