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Nas olimpíadas da vida, ser resiliente e se sacrificar é bem típico das mulheres negras. Mulheres ou meninas negras são sempre desafiadas a fazer várias coisas ao mesmo tempo: ser forte, guerreira, mãe, irmã, incentivadora, bonita, rimo de família, mediadora, profissional, domésticas, sexy... Em contrapartida, somos atravessadas por todos os tipos de opressão. Este não é um discurso vitimista. É a realidade.

Nós estamos na base da pirâmide social, abaixo do homem negro, da mulher branca e do homem branco. Somos também impactadas com a chamada interseccionalidade de raça, gênero e classe. Razão esta que enfrentamos todos os tipos de opressão como o marxismo, o sexismo, o patriarcado e o racismo.

Essa é uma das propostas e razões do nascimento do Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, comemorado no dia 25 de julho. Esta data foi promulgada em 2014 no Brasil, simbolizada por Teresa de Benguela, líder quilombola que marca essa luta de uma escrava que ficou denominada como rainha nas lideranças de quilombos e luta pelo seu povo.

Somos atletas nas olimpíadas da vida, vencendo obstáculos de cada prova de opressão social econômica, política e cultural. Resistir é superar, recuperar-se, fortalecer-se, aquilombar-se! A chamada resiliência das atletas está intrinsicamente associada às mulheres negras quando elas têm coragem de enfrentar os obstáculos diários da vida para conquistar um lugar ao sol; adaptam-se em diferentes trabalhos e realidades buscando reconhecimento e justiça; enfrentam adversidades e violências em todos os lugares e não desistem; cuidam e criam suas famílias sem suporte e estrutura numa sociedade capitalista além de resistirem ao choque e as violências do machismo.

A atleta Rebeca de Andrade está conquistou com esforço, dedicação e treino duas medalhas para o Brasil em um dos esportes mais elitizados dos jogos olímpicos. Com a música “Baile de favela”, ela despertou em corações brasileiros a vontade de vencer, acreditar e lutar, principalmente na comunidade negra.

Menina negra de origem humilde e filha de mãe solo, ela prova o contrário das estatísticas de que o negro não tem competência para vencer e que esporte é só para ricos. Segundo Conceição Evaristo, escritora negra consagrada na literatura brasileira, a escrevivência das mulheres negras reconstrói a história brasileira. As mudanças estão acontecendo e estão sendo lideradas por mulheres negras.

Neste ano na Olimpíada de Tóquio, Simone Biles, atleta recordista de medalhas de ouro e títulos na ginástica artística, levantou a pauta da saúde mental e deixou o mundo chocado com as suas afirmações. Sem mente e coração, o corpo não vai longe: “A prioridade precisa ser a minha saúde física e mental, antes que a gente faça o que o mundo nos pede”, disse Biles, que completou falando que “juntas podemos fortalecer vozes na proteção das mulheres e não no sacrifício de apresentar resultados a qualquer preço.”

Ser consciente das nossas limitações e das nossas capacidades é extremamente importante para termos coragem de enfrentar essas pressões da chamada resiliência e todos os tipos de violências, principalmente para as mulheres negras que carregam uma expectativa alta em atender todas as demandas.

Enfim, precisamos urgentemente desenvolver políticas e medidas de proteção para as meninas e mulheres em todas as áreas. Precisamos focar muito mais na proteção e nos limites diante de um mundo tão opressor e violento. As nossas meninas precisam aprender a falar por si mesmas e as famílias precisam encorajá-las e instrumentalizá-las no desenvolvimento destas camadas de proteção.

As meninas e as mulheres negras não podem esperar que outros as protejam somente. Nós todas unidas precisamos gritar bem alto quando acontece algo que violenta nosso corpo e nossa humanidade em qualquer circunstância da vida.

Viva as atletas negras nas olimpíadas e viva o Dia das Mulheres Negras!



Por Terezinha Ribeiro
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