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Entre medos e necessidades somos todos humanos! No entanto, precisamos reverter os valores e inverter algumas posições.
Sempre ouvimos o termo negritude. Mas hoje apresento um pouquinho sobre o termo branquitude. Mas quem é branco? O que é ser branco? E o que é o branco aliado? A proposta que trago para reflexão neste texto é muito mais na busca de soluções e relembrar que todos nós temos responsabilidades.

Quem criou o racismo não foram os negros, e discutir e buscar soluções para o racismo tem que ser pauta de todo o mundo, principalmente no Brasil. Os brancos não aceitam estar no lugar dos negros, mas aceitam o racismo de cada dia.

Ninguém nasceu odiando, mas alguém ensinou a praticar o ódio. Pode ser que não seja você, mas algumas pessoas criaram isso e continuam a propagar o ódio apesar do amor ser tão potente.

Precisamos concentrar esforços em valores humanitários. Todos perdemos com ações ruins e todos ganhamos com as ações boas. Ações estas fundamentadas em valores como respeito, gratidão, compaixão, multiculturalismo e diversidade.

Até onde seremos tão egoístas e não engajados em prol de uma sociedade mais justa? Somos uma sociedade que não cuida, não protege, não preserva os seres humanos... Somos uma sociedade doente, uma sociedade que mata 83% de jovens negros, uma sociedade que paga melhor quem tem a pele branca, uma sociedade que mata pessoas que têm orientação sexual diferente da dita “normal”, uma sociedade que interrompe projetos para o bem comum como cotas, leis, projetos de erradicação da pobreza e uma sociedade desigual.

A sociedade branca precisa, segundo a pesquisadora branca Lilia Schwarcz, da USP (Universidade de São Paulo), falar sobre esse desconforto chamado branquitude, que causou o racismo e uma necessidade urgente. Para ela, os brancos se veem como universais, e os outros são os outros, numa perspectiva de que os brancos são os padrões e os outros são os que devem seguir essas correntes de pensamentos de supremacia branca. Lilia reforça que os brancos precisam participar nesse debate, renunciar aos privilégios, discutir, conversar, ser parceiros e entender que enquanto houver racismo não há democracia.

Segundo Lia Vainer Schucman, pesquisador da USP e professora da Universidade de Santa Catarina, salienta que os brancos não se veem como grupo étnico, como o fazem os indígenas e negros, e se veem superior e individuais, como se não pertencessem a grupos sociais. Lia é autora do livro “Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: branquitude, hierarquia e poder na Cidade de São Paulo”.

Maria Aparecida Silva Bento, psicóloga e ativista brasileira, traz o conceito de branquitude nos seus estudos sobre “pacto narcísico da branquitude”, nos quais essa ideia pode ser vista como territorialidade e como lugar de privilégio e poder não compartilhável. Ela diz que esse pacto mantém os privilégios da branquitude e a racionalização dos negros nas posições de decisão, causando descaso, desprezo, repulsa e a estratégia de dizer que as escolhas e propostas negras não são bonitas e tranquilas, optando, assim, sempre pelas mais leves e mais brandas, taxando os negros de arrogantes e agressivos. A branquitude, segundo Bento, somente tolera negros se formos subservientes.

Arrisco a dizer então que a branquitude está realmente numa zona de desconforto e os brancos aliados já estão apoiando as iniciativas nas mídias, nas empresas, nas redes sociais e em movimentos para descolonizar o pensamento da supremacia branca. Exemplos disso são programas como Roda Viva na TV Cultura, levando profissionais negros; a apresentadora Astrid Fontenelle, fazendo a mesma coisa no Canal GNT; a loja Magalu abrindo oportunidades para jovens negros; entre vários outros exemplos.

E você, onde você se enquadra: na branquitude ou branco aliado? Manter privilégios ou ajudar a mudar as narrativas contra o racismo?

Ótimas festas de fim de ano a todos!



Por Terezinha Ribeiro
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