Dias atrás, fui com meus filhos a uma loja de materiais de construção. A missão era simples: comprar uma luminária para o banheiro, daquelas que ficam acima do espelho. Parecia algo trivial, mas rapidamente se transformou em um dilema. Diante de tantas opções, fiquei parada, comparando, pensando alto, sem conseguir decidir. Escolhi uma, coloquei no carrinho e caminhei alguns passos em direção ao caixa. Logo em seguida, voltei atrás. Troquei a luz. Continuei insatisfeita. Eu não queria errar.
Naquele momento, pedi a opinião de um dos meus filhos. Perguntei qual luz ele achava que eu deveria levar. Sem pensar muito, ele apontou uma e disse que seria aquela. Ainda insegura, questionei o motivo da escolha. A resposta veio simples, direta e despretensiosa: você perguntou e eu escolhi uma, mas, na verdade, tanto faz. É apenas uma luz de banheiro.
Meu filho de 11 anos respondeu com a sinceridade e a simplicidade típicas de uma criança. Ele não pretendia me dar uma lição nem fazer qualquer tipo de reflexão profunda. Ainda assim, aquela frase ecoou dentro de mim. Fiquei ruminando aquelas palavras ao longo do dia: é apenas uma luz de banheiro.
Ele poderia ter dito apenas que era uma luz. Isso já teria sido suficiente para eu perceber que estava sofrendo por algo pequeno. Mas ele foi além ao especificar o lugar. Banheiro. O espaço mais funcional da casa, onde cuidamos das necessidades básicas, longe das visitas, longe das fotos, longe da aparência.
Naquele instante, entendi que Deus estava falando comigo por meio do meu filho. Eu já sabia que andava preocupada demais, ocupada demais e estressada demais com coisas que não têm real importância. O problema é que, muitas vezes, mesmo sabendo, não conseguimos quebrar o ciclo.
Eu sabia que precisava reavaliar minhas prioridades. Sabia que estava dando peso excessivo a detalhes que não mereciam tanta atenção. Não há problema algum em gostar de um ambiente bonito. Não há nada de errado em se importar com a decoração da casa, com a roupa escolhida para o Natal ou com a marca de uma bolsa. As atividades escolares são importantes. Celebrar o Natal com uma casa arrumada e bem cuidada também pode ser algo prazeroso.
A pergunta que precisa ser feita é outra: o que tem mais valor? A decoração ou as pessoas que estarão ali dentro? A imagem perfeita ou o coração bem cuidado? Será que o meio não virou o fim? Será que o detalhe não se tornou o principal?
Quantas vezes perdemos a paz por causa de uma luz de banheiro? Quantas vezes ficamos irritados, sobrecarregados e desanimados por questões pequenas, enquanto sacrificamos tempo, paciência e presença com quem amamos? Quantas vezes exigimos demais de nós mesmos e dos outros por algo que, no fim, não faz diferença alguma?

Aquele momento simples me fez enxergar que muitas das coisas que têm roubado nossa alegria são apenas luzes de banheiro. Detalhes que assumiram um lugar grande demais em nossas vidas.
O Natal chega como um convite à reflexão. Jesus, o Filho de Deus, veio ao mundo da forma mais simples possível. Sua vida foi marcada por ensinamentos claros sobre o que realmente importa. Amor, serviço, presença, entrega. Ele nunca apontou para a perfeição exterior, mas para um coração alinhado.
Que neste Natal possamos respirar fundo e aprender com esse exemplo. Que possamos desacelerar e reorganizar as prioridades. Que nossas casas sejam lugares de acolhimento, não de cobrança. Que nossos filhos saibam que podem errar e continuar sendo amados. Que nossos lares sejam espaços de graça, não de performance.
A Bíblia nos lembra desse convite tão necessário para os dias de hoje:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” Mateus 11:28
Talvez o maior presente deste fim de ano seja exatamente esse. Aprender a soltar o que pesa, a relativizar o que é pequeno e a valorizar o que é eterno. Que não sacrifiquemos o essencial por causa do detalhe. Que não percamos a paz por causa de uma luz de banheiro.

Texto por Tathiana Schulze


