Somos a geração do “próprio”: amor-próprio, autoestima, autovalorização e tantas outras expressões que colocam o eu no centro. Na busca por mais dinheiro, cargos, títulos e experiências, ou simplesmente no desejo de aproveitar a vida com conforto, viagens e distrações, corremos o risco de nos tornar egoístas e vaidosos. Sem perceber, passamos a repetir pensamentos como: “eu mereço chegar em casa e não fazer nada”, “eu mereço ter o fim de semana só para mim”, “eu mereço gastar meu tempo apenas com o que me dá prazer”. E os filhos? Os pequenos? Os mais vulneráveis? Para muitos, eles têm se tornado um peso difícil de carregar.
Nessa lógica, temos empurrado para outros a responsabilidade de educar, formar e guiar a próxima geração. Crianças e adolescentes viram como bolas de pingue-pongue, lançadas de um lado para o outro. Muitos pais investem uma fortuna em escolas e, ainda assim, agem como se a educação dos filhos fosse responsabilidade exclusiva da instituição.
Do outro lado, professores lidam com salas cheias, exigências burocráticas e um currículo extenso. Muitas vezes, sentem-se desmotivados, acreditando que seu papel é apenas ensinar a matéria, não formar pessoas. Então surgem ainda mais “necessidades”: aulas de idioma, robótica, jardinagem, Lego e tantas outras atividades. Até nas igrejas, o ministério de crianças e adolescentes por vezes é tratado como um problema que ninguém quer assumir.
A verdade é que, por causa do egoísmo e da cultura da recompensa imediata, muita gente passou a acreditar na mentira de que crianças atrapalham a vida adulta. E, quando se enxerga a criança como incômodo, ninguém quer assumir esse “peso”. Os pais se ocupam com o que consideram mais importante. A escola reúne centenas de “incômodos” sob o mesmo teto e, no fim, gasta boa parte do tempo tentando mantê-los sob controle. Em muitos contextos, as crianças são apenas distraídas com eletrônicos e televisão, porque tudo o mais parece mais importante do que brincar no quintal, fazer um bolo juntos ou sentar para ler.
Mas, quando há uma mudança de mentalidade, entendemos que investir na próxima geração é privilégio, não fardo. Como diz a Palavra: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá.” Quando compreendemos isso, também passamos a reconhecer o valor do que fazemos todos os dias. A cada fralda trocada, refeição preparada e dodói cuidado, estamos ajudando a moldar quem nossos filhos serão. É na soma desses pequenos atos de amor, presença e sacrifício que um fundamento sólido é construído.
Criar filhos, educá-los no caminho em que devem andar e investir tempo no relacionamento com eles nunca foi, nem será, um peso. O que precisa mudar é o nosso entendimento sobre o que realmente vale a pena nesta vida.
“O teste mais importante para qualquer civilização é como tratamos os mais vulneráveis, o que fazemos com nossas crianças. Observando ao nosso redor, a forma como temos cuidado da próxima geração, podemos ver que perdemos a direção.” Ravi Zacharias
Trecho do livro Maternidade: Presente ou Fardo? adaptado para a revista.

Texto por Tathiana Schulze


