Maio nos convida a fazer uma pausa no ritmo acelerado da rotina e prestar atenção em sinais que o corpo muitas vezes dá em silêncio. Cansaço constante, sede fora do normal, infecções urinárias ou candidíase de repetição, visão embaçada, fome excessiva. Muita mulher aprende a empurrar esses sintomas para depois. O problema é que, em alguns casos, esse “depois” atrasa o diagnóstico de uma condição que merece cuidado desde cedo: o diabetes.
Nos Estados Unidos, cerca de 1 em cada 9 mulheres adultas vive com diabetes. E o impacto vai muito além da glicose alta. O diabetes pode aumentar o risco de doença cardíaca, AVC, problemas renais, perda de visão e complicações na gravidez. Para a mulher, existe ainda um detalhe importante: essa condição também pode afetar a fertilidade, a saúde íntima e o bem-estar em diferentes fases da vida.

De forma simples, diabetes é quando o corpo não consegue controlar adequadamente a glicose no sangue. A glicose é uma das principais fontes de energia do organismo, e a insulina funciona como uma chave que ajuda essa energia a entrar nas células. Quando o corpo produz pouca insulina, ou quando ela não funciona como deveria, a glicose se acumula no sangue. Com o tempo, esse excesso pode causar danos em diferentes órgãos e sistemas.
Existem três tipos principais de diabetes. O tipo 1 acontece quando o organismo deixa de produzir insulina e exige reposição diária. O tipo 2 é o mais comum e costuma se desenvolver ao longo dos anos, muitas vezes associado a fatores como histórico familiar, excesso de peso e sedentarismo. Já o diabetes gestacional aparece durante a gravidez, inclusive em mulheres que nunca tiveram alteração de glicose antes.
Na gestação, esse tema merece atenção redobrada. O diabetes gestacional nem sempre causa sintomas claros, e por isso o rastreamento faz parte do pré-natal, geralmente entre 24 e 28 semanas. Quando a glicose fica alta nesse período, aumentam os riscos de pré-eclâmpsia, parto antes do tempo, cesárea e de um bebê maior do que o esperado, o que pode dificultar o parto. O recém-nascido também pode apresentar queda de glicose após o nascimento. Com acompanhamento adequado, plano alimentar, atividade física quando clinicamente apropriada e, em alguns casos, uso de insulina, muitas mulheres conseguem ter uma gestação saudável e segura.
Outro ponto importante é que a mulher que teve diabetes gestacional passa a ter maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. Por isso, o cuidado não termina no parto. O pós-parto também é uma oportunidade importante para rever exames, hábitos e acompanhamento médico.
Fora da gestação, alguns sinais merecem investigação, especialmente quando aparecem juntos ou se repetem. Entre os sintomas mais comuns estão sede excessiva, urinar mais vezes ao dia, cansaço, visão embaçada, fome aumentada, perda de peso sem explicação,
feridas que demoram a cicatrizar e infecções urinárias ou vaginais frequentes. Em muitos casos, o diabetes tipo 2 pode se instalar lentamente, sem chamar atenção no começo. É por isso que o rastreamento se torna tão valioso.
Vale conversar com seu médico sobre exames se você tem histórico familiar, sobrepeso, pressão alta, colesterol alterado, pouca atividade física, síndrome dos ovários policísticos, diabetes na gestação anterior ou se já teve um bebê com peso elevado ao nascer. E, se você já tem diabetes e está pensando em engravidar, o ideal é planejar essa gravidez com antecedência. Controlar bem a glicose antes e durante a gestação pode ajudar a reduzir riscos para a mãe e para o bebê.
Na prática, cuidar do diabetes não significa apenas “tirar o açúcar”. Significa olhar para a saúde como um todo: alimentação equilibrada, rotina mais ativa, acompanhamento regular, uso correto de medicações quando indicadas e atenção ao pré-natal e ao planejamento reprodutivo. Informação de qualidade não serve para gerar medo. Serve para gerar clareza.
Na Women’s Integrative OBGYN, acreditamos que toda mulher merece entender o próprio corpo sem culpa, sem vergonha e sem adiar sintomas importantes. Quando o assunto é diabetes, prevenir, diagnosticar cedo e acompanhar de forma individualizada pode fazer toda a diferença.

Dra. Stacey Pereira, MD
Obstetra, Ginecologista e Cirurgiã
Deborah Pereira, PA-C
Women’s Integrative OBGYN & Wellness
womensintegrativeobgyn.com


