Esta edição de maio da Cia Brasil Magazine não era para ser esta.
Como editora-chefe, eu havia imaginado um mês das mães cheio de luz e gratidão. Minha mãe participaria de um ensaio fotográfico ao lado de outras mães e faria, mais uma vez, parte dos projetos que tanto amava.
Mas a vida decidiu escrever outro texto.
No dia 2 de maio de 2026, minha mãe, Vanda de Fatima Castilho, perdeu a batalha contra o câncer de mama. E, mesmo em meio à dor da minha família, eu sabia que não poderia deixar esta edição passar em silêncio. Porque a história dela pertence também a uma causa maior.
Minha mãe e meu pai vieram para os Estados Unidos em 2018 para ficarem mais perto da família e dos netos. Desde que chegaram, ela abraçou com amor as ações da Cia Brasil Magazine, da nossa Organização non-Profitt CABI-Centro de Apoio ao Brasileiro Imigrante e da nossa Feira da Saúde em parceria com o Northside Hospital. Em pouco tempo, tornou-se uma presença constante, daquelas que ajudam sem fazer barulho, mas deixam marca por onde passam.
Em 2023, foi durante uma dessas ações de saúde comunitária que sua própria história mudou. Ao participar da feira e realizar uma mamografia com apoio do Northside Hospital, ela iniciou o caminho que levaria ao diagnóstico. Infelizmente, quando o câncer foi descoberto, ele já havia atingido os ossos. Foi um choque. Ainda assim, ela enfrentou tudo com uma coragem que até hoje me comove. Ela acreditou até o fim que seria curada. Nunca reclamou. Escolheu viver cada etapa com fé, dignidade e uma força silenciosa que impressionava quem estava por perto.
Com o tempo, o que poderia ter se tornado apenas uma experiência dolorosa virou missão. Minha mãe se tornou um dos rostos mais marcantes das campanhas do Outubro Rosa do CABI, ao lado de Lívia Tenório. Participou de eventos, deu testemunhos, incentivou mulheres a fazer exames e compartilhou acolhimento. Depois da sua partida, eu descobri o quanto ela também se mantinha em contato, no privado, com mulheres em tratamento. Não para aparecer. Apenas para apoiar.
É por isso que esta não é apenas uma homenagem. É também um apelo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer de mama causou cerca de 670 mil mortes no mundo em 2022 e segue como o câncer mais comum entre mulheres em 157 dos 185 países avaliados. No Brasil, o INCA estima 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028. Esses números impressionam, mas existe outro dado que precisa ser repetido com a mesma força: quando o câncer de mama é descoberto cedo, ele é altamente tratável. Nos Estados Unidos, a sobrevida relativa em cinco anos chega a 100% quando a doença é identificada em estágio localizado. Quando o diagnóstico vem tarde, como aconteceu com minha mãe, a história se torna muito mais difícil.
Por isso, prevenção não é detalhe. Mamografia não é exagero. Check-up não é luxo.
Muitas mulheres adiam exames por medo, por falta de tempo, por não terem seguro ou por não saberem por onde começar. E é justamente aí que a informação salva vidas. Atlanta e a Geórgia contam com centros de referência em câncer reconhecidos nacionalmente, tecnologia avançada de imagem, tratamentos-alvo, novas terapias orais, acompanhamento multidisciplinar e opções modernas de reconstrução mamária, com implantes ou com tecido da própria paciente. Também existem programas de apoio para quem não pode arcar com custos altos, incluindo assistência financeira hospitalar, programas públicos de rastreamento e cobertura para tratamento em casos elegíveis.
Além disso, a vida depois do câncer também merece ser falada com esperança. Hoje, muitas mulheres em remissão vivem com qualidade de vida, acompanhamento adequado, reabilitação, suporte emocional e novas possibilidades de reconstrução da autoestima e da imagem corporal.
Minha mãe entendeu isso de forma profunda. Mesmo doente, ela continuou servindo. Continuou sendo presença. Continuou sendo mãe no sentido mais amplo da palavra: aquela que acolhe, encoraja, sustenta e cuida.
Escrever este texto é uma das tarefas mais difíceis da minha vida. Mas também é uma das mais necessárias. Porque eu não quero que a história da Vanda seja lembrada apenas pela perda. Quero que ela seja lembrada pelo que ainda pode provocar em outras mulheres: coragem para marcar um exame, atenção a um sinal do corpo, decisão de buscar ajuda, fé para seguir adiante.
Neste mês de maio, enquanto minha família se despede dela aqui e se prepara para sepultá-la no Brasil ao lado de pessoas que sempre fizeram parte de sua história, eu escolho transformar esta dor em voz.
Se você está lendo esta matéria, faça seus exames preventivos. Não adie o que pode proteger a sua vida. E, se quiser conhecer mais sobre os programas de saúde, campanhas de conscientização e ações comunitárias que seguimos apoiando, visite o Link in Bio do CABI e da Cia Brasil Magazine. Neste mesmo espírito de prevenção, seguimos divulgando iniciativas de triagem gratuita para outros tipos de câncer em nossa comunidade.
Minha mãe amava fazer parte desses projetos. Agora, de alguma forma, continuará fazendo.

Cristiane Pope


