Câncer de mama e os mitos que adiam o cuidado

Você espera sentir alguma coisa para marcar sua mamografia?

O câncer de mama pode se desenvolver sem dor e sem um caroço perceptível. Sentir que está tudo bem não dispensa o acompanhamento indicado para sua idade e seu risco.

Para quem vive nos Estados Unidos, o exame às vezes fica para a próxima viagem ao Brasil. A familiaridade com o atendimento de lá traz segurança, mas esperar pode atrasar uma investigação necessária. Neste Outubro Rosa, vale rever algumas certezas que influenciam nossas decisões.

Uma delas é acreditar que a ausência de casos na família oferece proteção. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a maioria das mulheres diagnosticadas não tem histórico familiar conhecido. A idade aumenta o risco, mas mulheres jovens também desenvolvem a doença.

Os parentes do lado paterno importam tanto quanto os do materno. Informe quem teve câncer de mama ou ovário e a idade do diagnóstico. Câncer de mama em um homem da família também merece atenção. Essas informações ajudam a avaliar a necessidade de aconselhamento genético e acompanhamento diferenciado.

Outra ideia que precisa ser revista é a de que um câncer sempre dói ou aparece como caroço. Mudanças na pele, aspecto de casca de laranja, retração recente do mamilo, secreção espontânea, especialmente com sangue, e nódulos na axila também precisam de avaliação. Muitas alterações têm causas benignas, mas essa distinção exige investigação. Uma mudança nova merece atenção mesmo quando a última mamografia foi normal.

Muitas brasileiras aprenderam a fazer o autoexame mensal como principal proteção. Hoje, valorizamos conhecer a aparência e a textura habituais das mamas, sem exigir uma técnica rígida. Essa percepção ajuda a reconhecer mudanças, mas não substitui a mamografia. Não encontrar nada ao toque não exclui alterações nas imagens.

Nos Estados Unidos, o American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda iniciar a mamografia de rastreamento aos 40 anos para mulheres de risco habitual, repetindo a cada um ou dois anos, conforme decisão compartilhada. Quem tem risco elevado pode precisar de exames mais cedo e de ressonância complementar. O plano deve considerar o histórico individual, os benefícios e as limitações dos exames.

Rastreamento é o exame feito antes de surgirem sintomas. Quando existe uma alteração, a avaliação é diagnóstica e pode ser necessária em qualquer idade. Não espere chegar aos 40 anos ou à data do próximo exame para relatar uma mudança.

A compressão da mamografia não espalha o câncer. Ela ajuda a obter imagens adequadas, e a dose de radiação utilizada é baixa. Quando o exame está indicado, seus benefícios precisam ser considerados junto dos possíveis danos, como resultados falsamente suspeitos e exames adicionais. Ser chamada para novas imagens não significa, por si só, um diagnóstico de câncer.

Outro detalhe pode estar no laudo: mamas densas. Isso descreve a composição do tecido, não o tamanho dos seios. A densidade pode dificultar a visualização de tumores e aumentar o risco. Nos Estados Unidos, os serviços de mamografia devem informar essa característica. A necessidade de exames complementares depende da avaliação individual, sem substituir automaticamente a mamografia.

Também não há evidência científica de que desodorantes ou sutiãs com aro causem câncer de mama. Já manter atividade física, cuidar do peso, especialmente após a menopausa, e reduzir ou evitar álcool pode diminuir o risco. Esses cuidados não eliminam a possibilidade da doença. Receber um diagnóstico não significa ter falhado no cuidado consigo mesma.

Algumas terapias hormonais da menopausa podem aumentar o risco. O tipo de tratamento e o histórico individual precisam ser avaliados. Converse com seu médico antes de iniciar ou interromper medicamentos.

Se fez exames no Brasil, leve os laudos e, quando possível, as imagens anteriores para comparação. Se o custo impede o atendimento, consulte o Breast and Cervical Cancer Program da Geórgia, que oferece serviços gratuitos ou de baixo custo para mulheres elegíveis. O departamento de saúde do seu condado pode orientar.

Para quem recebeu o diagnóstico, o cuidado continua durante e após o tratamento, incluindo apoio emocional. Mulheres com doença metastática precisam de acompanhamento e acolhimento. O Outubro Rosa deve abrir espaço para elas e para as famílias que perderam alguém.

Na Women’s Integrative OBGYN, sabemos o quanto um cuidado personalizado é importante para a mulher imigrante. Aqui, você encontra uma equipe bilíngue, acolhedora e pronta para acompanhar sua jornada com respeito à sua história e às suas escolhas. Não espere os sintomas aparecerem. Cuide-se hoje, com amor e prevenção.

Este texto tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Referências consultadas: American College of Obstetricians and Gynecologists; Organização Mundial da Saúde; Instituto Nacional de Câncer; Centers for Disease Control and Prevention; U.S. Food and Drug Administration; National Cancer Institute; MedlinePlus; Georgia Department of Public Health. Inspiração temática: Northside Hospital.

 

Dra. Stacey Pereira, MD
Obstetra, Ginecologista e Cirurgiã

Deborah Pereira, PA-C
Women’s Integrative OBGYN & Wellness
womensintegrativeobgyn.com