Em Atlanta, o ex-paquito de Xuxa relata quase dez dias em cativeiro e reencontra amigos que acompanham a missão construída com a esposa Giovana no Níger. Uma história sobre o que permanece quando a própria vida está em risco.
A oração que Alexandre Canhoni descreveu era um pedido para que Deus não permitisse que ele fosse torturado. Segundo seu relato, foram quase dez dias em cativeiro. Ao ouvi-lo contar essa experiência em Atlanta, a história daquele brasileiro conhecido por tantas famílias ganhou uma dimensão que nenhuma lembrança da televisão poderia antecipar.
Quem estava diante de nós era Xand, o ex-paquito da Xuxa. Mas era também o amigo que, sempre que passa por Atlanta, nos procura para conversar sobre o trabalho que realiza com a esposa, Giovana, no Níger. Nossos reencontros têm esse vínculo: a amizade e o interesse em acompanhar uma missão que continua muito depois de uma visita, de uma palestra ou de uma reportagem.
Neste ano, convidei Alexandre para participar do encontro do Rotary Club Atlanta Brasil em que recebemos nossa governadora distrital. Em setembro, ele compartilhou sua trajetória, falou sobre os projetos e contou o episódio que descreve como um sequestro. Também ajudei a traduzir seu testemunho para o inglês, aproximando aquela experiência de quem o ouvia em outro idioma.
Traduzir uma história assim exige cuidado com cada palavra. Há o acontecimento narrado, há a forma como a pessoa o viveu e há o significado que atribui à própria sobrevivência. Para Alexandre, sua libertação foi um livramento de Deus. É com esse entendimento que ele conta o que passou e fala sobre o futuro.
O rosto conhecido e o homem que veio depois
A televisão apresentou Alexandre a uma geração de brasileiros. Como integrante dos Paquitos do Xou da Xuxa, ele viveu a exposição de um programa que atravessava a rotina das famílias. Para muitos leitores que hoje moram nos Estados Unidos, seu rosto pertence também à memória de um Brasil deixado para trás: a infância, a música, a televisão ligada em casa.
Essa lembrança abre a conversa. A vida que ele construiu depois é o que a faz continuar.
Alexandre segue ligado à arte como músico, compositor, cantor e palestrante. Sua trajetória reúne formação em teologia, missiologia e capelania, caminhos que aproximaram sua atuação artística do serviço comunitário. Hoje, como fundador e idealizador da AGD Níger, usa também sua capacidade de comunicar para apresentar as necessidades da missão e buscar parceiros.
Segundo Alexandre, a mudança espiritual aconteceu em 1995, depois de sua saída dos Paquitos e da tentativa de seguir carreira solo. Ele conta que a fama não havia preenchido o vazio que sentia. A conversão reorganizou suas prioridades, e o trabalho social no Brasil antecedeu sua chegada à África.
Em 2002, ele e Giovana fizeram a primeira viagem ao Níger. No relato do casal, aquele encontro criou laços que se tornariam duradouros. O país passou a fazer parte da história da família e do compromisso que assumiram com as comunidades atendidas.
Quando o testemunho chega perto
Em Atlanta, Alexandre trouxe essa caminhada para dentro de uma conversa entre pessoas que também conhecem a experiência de viver longe do país onde nasceram. As circunstâncias são diferentes, mas há algo que reconhecemos: construir uma vida em outro lugar significa aprender a pertencer, assumir responsabilidades e criar vínculos que atravessam fronteiras.
O relato do cativeiro interrompe qualquer leitura confortável dessa trajetória. De acordo com Alexandre, durante aqueles quase dez dias ele orava repetidamente, pedindo proteção contra a tortura. Não era uma ideia distante sobre sofrimento. Era o medo que ele afirma ter enfrentado enquanto estava privado de liberdade.
Em outro relato público sobre o episódio, situado por ele em 2025, Alexandre afirmou ter sido levado encapuzado e interrogado sob suspeita de espionagem. Disse não saber se voltaria. Ao falar da libertação, atribui a Deus a possibilidade de estar vivo e de continuar compartilhando sua história.
Naquele encontro, porém, sua fala também alcançou o que vem depois. Alexandre apresentou a importância de manter o projeto e os planos para o futuro. A história não terminava no momento em que ele recuperara a liberdade. Continuava nas responsabilidades com as pessoas que ele e Giovana acompanham.
É essa continuidade que me interessa mostrar nesta capa. O episódio de violência merece atenção, mas as crianças, as mulheres e os profissionais envolvidos na missão precisam permanecer no centro da conversa. Conhecer o risco enfrentado por Alexandre pode nos aproximar dele. Conhecer o trabalho ajuda a entender por que ele deseja prosseguir.
O cuidado precisa acontecer amanhã também
A AGD, Associação Guerreiros de Deus, tem base em Niamey, capital do Níger. A organização se apresenta como uma iniciativa cristã de proteção a crianças, adolescentes e populações vulneráveis, com atendimento sem distinção de credo, etnia ou gênero. Giovana integra essa construção ao lado de Alexandre, em uma história que reúne família, fé e atuação comunitária.
Nos programas divulgados pela AGD estão quatro creches, onze projetos de nutrição e dois centros de formação para mulheres. A área de nutrição informa atender cerca de mil crianças. Nas creches, alimentação, higiene, alfabetização e brincadeiras fazem parte do cuidado. Há também apoio à escolarização, atividades esportivas e assistência na área pediátrica do Hospital Nacional de Niamey.
Para as mulheres, a formação reúne alfabetização, corte e costura. Ao concluir o curso de três anos, as participantes aprovadas recebem uma máquina de costura para começar a trabalhar. Esse detalhe torna concreto o alcance de uma contribuição: o aprendizado pode se transformar em instrumento de geração de renda.
Uma refeição atende a uma necessidade imediata. Uma sala de aula precisa funcionar durante todo o período letivo. Um curso profissionalizante exige acompanhamento até a conclusão. Por isso, uma iniciativa dessa natureza depende de continuidade, organização e pessoas dispostas a sustentá-la quando a história já não está em evidência.
Também merece espaço quem realiza esse trabalho no próprio país. Educadores, colaboradores e famílias fazem parte da missão. Olhar para eles ajuda a enxergar o projeto para além da figura de seu fundador e a reconhecer a participação da comunidade na construção de seu futuro.
Na perspectiva apresentada por Alexandre, os próximos passos incluem ampliar a formação profissional, as oportunidades para mulheres e a preparação de lideranças locais. Seu desejo é que a missão possa continuar com pessoas capacitadas para conduzi-la. São planos que dependem de apoio e que ele apresenta como parte de um compromisso de longo prazo.
Uma ponte que também passa por Atlanta
Ao receber um amigo e abrir espaço para sua história, nossa comunidade pode fazer mais do que acompanhar uma trajetória. Pode conhecer necessidades, pedir informações, aproximar parceiros e decidir como participar. Empresas, igrejas, profissionais e famílias têm diferentes formas de contribuir, de acordo com suas possibilidades.
É por isso que a Cia Brasil Magazine volta a apresentar Alexandre e Giovana. A amizade nos aproxima; o compromisso editorial nos pede atenção ao que contamos. Queremos que o leitor conheça tanto o testemunho de fé quanto o trabalho que precisa seguir no dia seguinte.
A oração no cativeiro era para que o sofrimento não o destruísse. Em Atlanta, Alexandre também nos falou sobre continuar. Entre esses dois momentos está a história que compartilhamos nesta edição: a de um brasileiro que relata ter temido pela própria vida e que segue mobilizando pessoas para cuidar de outras.
Como conhecer e contribuir
Acesse www.agdniger.com para conhecer os projetos, solicitar relatórios e informações sobre apadrinhamento. Nos Estados Unidos, o site informa o Zelle missaoagd@gmail.com para contribuições à missão. No Brasil, o Pix é 08.280.906/0001-19. Outras modalidades estão em www.agdniger.com/doacao.
Acompanhe @agdniger e @alexandrecanhoni. Para propor uma parceria ou oferecer conhecimento, serviços e materiais, converse com a equipe pelo contato do site. A próxima participação nessa história pode começar com uma conversa e se tornar um compromisso que permanece.
Da redação
Em Atlanta, o ex-paquito de Xuxa relata quase dez dias em cativeiro e reencontra amigos que acompanham a missão construída com a esposa Giovana no Níger. Uma história sobre o que permanece quando a própria vida está em risco.
A oração que Alexandre Canhoni descreveu era um pedido para que Deus não permitisse que ele fosse torturado. Segundo seu relato, foram quase dez dias em cativeiro. Ao ouvi-lo contar essa experiência em Atlanta, a história daquele brasileiro conhecido por tantas famílias ganhou uma dimensão que nenhuma lembrança da televisão poderia antecipar.
Quem estava diante de nós era Xand, o ex-paquito da Xuxa. Mas era também o amigo que, sempre que passa por Atlanta, nos procura para conversar sobre o trabalho que realiza com a esposa, Giovana, no Níger. Nossos reencontros têm esse vínculo: a amizade e o interesse em acompanhar uma missão que continua muito depois de uma visita, de uma palestra ou de uma reportagem.
Neste ano, convidei Alexandre para participar do encontro do Rotary Club Atlanta Brasil em que recebemos nossa governadora distrital. Em setembro, ele compartilhou sua trajetória, falou sobre os projetos e contou o episódio que descreve como um sequestro. Também ajudei a traduzir seu testemunho para o inglês, aproximando aquela experiência de quem o ouvia em outro idioma.
Traduzir uma história assim exige cuidado com cada palavra. Há o acontecimento narrado, há a forma como a pessoa o viveu e há o significado que atribui à própria sobrevivência. Para Alexandre, sua libertação foi um livramento de Deus. É com esse entendimento que ele conta o que passou e fala sobre o futuro.
O rosto conhecido e o homem que veio depois
A televisão apresentou Alexandre a uma geração de brasileiros. Como integrante dos Paquitos do Xou da Xuxa, ele viveu a exposição de um programa que atravessava a rotina das famílias. Para muitos leitores que hoje moram nos Estados Unidos, seu rosto pertence também à memória de um Brasil deixado para trás: a infância, a música, a televisão ligada em casa.
Essa lembrança abre a conversa. A vida que ele construiu depois é o que a faz continuar.
Alexandre segue ligado à arte como músico, compositor, cantor e palestrante. Sua trajetória reúne formação em teologia, missiologia e capelania, caminhos que aproximaram sua atuação artística do serviço comunitário. Hoje, como fundador e idealizador da AGD Níger, usa também sua capacidade de comunicar para apresentar as necessidades da missão e buscar parceiros.
Segundo Alexandre, a mudança espiritual aconteceu em 1995, depois de sua saída dos Paquitos e da tentativa de seguir carreira solo. Ele conta que a fama não havia preenchido o vazio que sentia. A conversão reorganizou suas prioridades, e o trabalho social no Brasil antecedeu sua chegada à África.
Em 2002, ele e Giovana fizeram a primeira viagem ao Níger. No relato do casal, aquele encontro criou laços que se tornariam duradouros. O país passou a fazer parte da história da família e do compromisso que assumiram com as comunidades atendidas.
Quando o testemunho chega perto
Em Atlanta, Alexandre trouxe essa caminhada para dentro de uma conversa entre pessoas que também conhecem a experiência de viver longe do país onde nasceram. As circunstâncias são diferentes, mas há algo que reconhecemos: construir uma vida em outro lugar significa aprender a pertencer, assumir responsabilidades e criar vínculos que atravessam fronteiras.
O relato do cativeiro interrompe qualquer leitura confortável dessa trajetória. De acordo com Alexandre, durante aqueles quase dez dias ele orava repetidamente, pedindo proteção contra a tortura. Não era uma ideia distante sobre sofrimento. Era o medo que ele afirma ter enfrentado enquanto estava privado de liberdade.
Em outro relato público sobre o episódio, situado por ele em 2025, Alexandre afirmou ter sido levado encapuzado e interrogado sob suspeita de espionagem. Disse não saber se voltaria. Ao falar da libertação, atribui a Deus a possibilidade de estar vivo e de continuar compartilhando sua história.
Naquele encontro, porém, sua fala também alcançou o que vem depois. Alexandre apresentou a importância de manter o projeto e os planos para o futuro. A história não terminava no momento em que ele recuperara a liberdade. Continuava nas responsabilidades com as pessoas que ele e Giovana acompanham.
É essa continuidade que me interessa mostrar nesta capa. O episódio de violência merece atenção, mas as crianças, as mulheres e os profissionais envolvidos na missão precisam permanecer no centro da conversa. Conhecer o risco enfrentado por Alexandre pode nos aproximar dele. Conhecer o trabalho ajuda a entender por que ele deseja prosseguir.
O cuidado precisa acontecer amanhã também
A AGD, Associação Guerreiros de Deus, tem base em Niamey, capital do Níger. A organização se apresenta como uma iniciativa cristã de proteção a crianças, adolescentes e populações vulneráveis, com atendimento sem distinção de credo, etnia ou gênero. Giovana integra essa construção ao lado de Alexandre, em uma história que reúne família, fé e atuação comunitária.
Nos programas divulgados pela AGD estão quatro creches, onze projetos de nutrição e dois centros de formação para mulheres. A área de nutrição informa atender cerca de mil crianças. Nas creches, alimentação, higiene, alfabetização e brincadeiras fazem parte do cuidado. Há também apoio à escolarização, atividades esportivas e assistência na área pediátrica do Hospital Nacional de Niamey.
Para as mulheres, a formação reúne alfabetização, corte e costura. Ao concluir o curso de três anos, as participantes aprovadas recebem uma máquina de costura para começar a trabalhar. Esse detalhe torna concreto o alcance de uma contribuição: o aprendizado pode se transformar em instrumento de geração de renda.
Uma refeição atende a uma necessidade imediata. Uma sala de aula precisa funcionar durante todo o período letivo. Um curso profissionalizante exige acompanhamento até a conclusão. Por isso, uma iniciativa dessa natureza depende de continuidade, organização e pessoas dispostas a sustentá-la quando a história já não está em evidência.
Também merece espaço quem realiza esse trabalho no próprio país. Educadores, colaboradores e famílias fazem parte da missão. Olhar para eles ajuda a enxergar o projeto para além da figura de seu fundador e a reconhecer a participação da comunidade na construção de seu futuro.
Na perspectiva apresentada por Alexandre, os próximos passos incluem ampliar a formação profissional, as oportunidades para mulheres e a preparação de lideranças locais. Seu desejo é que a missão possa continuar com pessoas capacitadas para conduzi-la. São planos que dependem de apoio e que ele apresenta como parte de um compromisso de longo prazo.
Uma ponte que também passa por Atlanta
Ao receber um amigo e abrir espaço para sua história, nossa comunidade pode fazer mais do que acompanhar uma trajetória. Pode conhecer necessidades, pedir informações, aproximar parceiros e decidir como participar. Empresas, igrejas, profissionais e famílias têm diferentes formas de contribuir, de acordo com suas possibilidades.
É por isso que a Cia Brasil Magazine volta a apresentar Alexandre e Giovana. A amizade nos aproxima; o compromisso editorial nos pede atenção ao que contamos. Queremos que o leitor conheça tanto o testemunho de fé quanto o trabalho que precisa seguir no dia seguinte.
A oração no cativeiro era para que o sofrimento não o destruísse. Em Atlanta, Alexandre também nos falou sobre continuar. Entre esses dois momentos está a história que compartilhamos nesta edição: a de um brasileiro que relata ter temido pela própria vida e que segue mobilizando pessoas para cuidar de outras.
Como conhecer e contribuir
Acesse www.agdniger.com para conhecer os projetos, solicitar relatórios e informações sobre apadrinhamento. Nos Estados Unidos, o site informa o Zelle missaoagd@gmail.com para contribuições à missão. No Brasil, o Pix é 08.280.906/0001-19. Outras modalidades estão em www.agdniger.com/doacao.
Acompanhe @agdniger e @alexandrecanhoni. Para propor uma parceria ou oferecer conhecimento, serviços e materiais, converse com a equipe pelo contato do site. A próxima participação nessa história pode começar com uma conversa e se tornar um compromisso que permanece.
Da redação


