O que o Papanicolau não revela sobre o câncer de ovário

Muitas mulheres saem do consultório aliviadas depois de receber um resultado normal do Papanicolau. Esse alívio é compreensível, mas existe uma informação que ainda surpreende: o exame ajuda a rastrear alterações do colo do útero. Ele não rastreia o câncer de ovário.

Atualmente, não existe um exame de rotina recomendado para rastrear o câncer de ovário em mulheres sem sintomas e com risco habitual. O ultrassom transvaginal e a dosagem de CA 125 podem ajudar na investigação de situações específicas, mas não funcionam como rastreamento para todas as mulheres.

Na prática, isso torna duas atitudes especialmente importantes: perceber mudanças persistentes no corpo e conhecer a própria história familiar.

Inchaço abdominal, pressão ou dor pélvica, desconforto nas costas, dificuldade para comer, saciedade muito rápida e mudanças urinárias podem ter diversas causas. Na maioria das vezes, esses sintomas não indicam câncer. Ainda assim, quando persistem ou fogem do padrão habitual do seu corpo, precisam ser mencionados ao profissional de saúde.

O erro mais comum é normalizar o que se repete. A mulher atribui o inchaço à alimentação, a dor pélvica ao ciclo menstrual, a mudança urinária à idade e o cansaço à rotina. Cada explicação pode parecer razoável isoladamente. O problema começa quando o sintoma continua voltando e nunca entra na conversa durante a consulta.

A avaliação médica considera quando a mudança começou, com que frequência acontece e o histórico pessoal e familiar da paciente. Esse contexto ajuda a definir quais exames ou acompanhamentos podem ser necessários.

Alguns fatores estão associados a maior risco de câncer de ovário, entre eles o avanço da idade, mutações hereditárias como BRCA1 e BRCA2, síndrome de Lynch, endometriose e histórico pessoal ou familiar de câncer de ovário, mama, cólon ou endométrio. Ter um desses fatores não significa que a mulher desenvolverá a doença. Significa que essa informação deve fazer parte de uma conversa individualizada com o ginecologista.

Conhecer a história familiar pode exigir perguntas novas. Qual tipo de câncer uma mãe, avó, irmã ou tia teve? Com que idade recebeu o diagnóstico? A herança genética pode vir tanto do lado materno quanto do paterno.

Para a mulher imigrante, a distância da família, os documentos médicos em outro país e uma rotina intensa podem dificultar o acesso a essas informações. Reunir o que for possível e registrar mudanças no corpo já oferece um ponto de partida valioso.

Na Women’s Integrative OBGYN, cada queixa é analisada dentro da história completa da paciente. Escutar com atenção não significa presumir o pior. Significa evitar que uma mudança persistente seja descartada sem a avaliação adequada.

Conscientização não deve produzir medo. Deve produzir uma pergunta mais útil: isto é normal para mim ou merece ser investigado?

Neste Setembro de Conscientização sobre o Câncer de Ovário, lembre-se de três cuidados: saiba o que o Papanicolau realmente avalia, conheça o histórico de câncer da sua família e fale sobre sintomas novos ou persistentes. Seu corpo não precisa gritar para merecer atenção.

Na Women’s Integrative OBGYN, sabemos o quanto um cuidado personalizado é importante para a mulher imigrante. Aqui, você encontra uma equipe bilíngue, acolhedora e pronta para acompanhar sua jornada com respeito à sua história e às suas escolhas. Não espere os sintomas aparecerem. Cuide-se hoje, com amor e prevenção.

Este texto tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Referências consultadas: American College of Obstetricians and Gynecologists, Centers for Disease Control and Prevention, United States Preventive Services Task Force e National Cancer Institute.

 

Dra. Stacey Pereira, MD
Obstetra, Ginecologista e Cirurgiã

Deborah Pereira, PA-C
Women’s Integrative OBGYN & Wellness
womensintegrativeobgyn.com