Entre 15 de setembro e 15 de outubro, os Estados Unidos celebram o Hispanic Heritage Month, um período dedicado a reconhecer a história, a cultura e as contribuições de comunidades com raízes na Espanha, no México, no Caribe e em países da América Central e da América do Sul. A celebração começou em 1968, como uma semana comemorativa, e foi ampliada para 30 dias em 1988. A escolha de 15 de setembro também tem significado histórico, por coincidir com as datas de independência de vários países latino-americanos.
Para quem é brasileiro, essa celebração traz uma oportunidade interessante de olhar para as identidades que convivem lado a lado nos Estados Unidos. Brasileiros são latino-americanos, mas, em geral, não são considerados hispânicos, já que nossa língua e herança cultural estão ligadas ao português. Ainda assim, quando vivemos fora do Brasil, percebemos como existem pontes naturais entre a nossa cultura e a de nossos vizinhos latinos.
Elas aparecem no valor dado à família, na forma calorosa de receber, na mesa cheia, na música, na dança, nas festas populares e na maneira como transformamos encontros em comunidade. Estão também na experiência de aprender um novo idioma, adaptar-se a outros costumes, empreender longe do país de origem e criar filhos entre duas ou mais culturas. As histórias não são iguais, mas muitas emoções são familiares.
Talvez por isso o Hispanic Heritage Month também possa ser, para nós brasileiros, um convite à aproximação. Não para apagar diferenças, mas para conhecê-las melhor. A América Latina reúne povos, idiomas, ritmos, histórias e tradições muito distintas. Reconhecer essa diversidade é justamente o que torna a celebração mais rica.
Em cidades multiculturais como Atlanta, essas conexões acontecem todos os dias. Brasileiros e comunidades de língua espanhola se encontram em empresas, escolas, igrejas, restaurantes, eventos, clínicas e organizações comunitárias. Muitas vezes compartilhamos desafios semelhantes e, ao mesmo tempo, temos muito a aprender uns com os outros.
Participar desse mês pode ser tão simples quanto conhecer a história de outro país latino-americano, apoiar um pequeno negócio local, experimentar uma culinária diferente, prestigiar um artista, visitar uma exposição ou conversar com alguém sobre a origem de uma tradição familiar.
Celebrar herança cultural é também preservar memória. É lembrar que viver nos Estados Unidos não exige abandonar aquilo que nos formou. Podemos aprender uma nova cultura sem perder a nossa e, ao mesmo tempo, descobrir afinidades que talvez nunca tivéssemos percebido antes.
Neste Hispanic Heritage Month, vale celebrar não apenas o que nos diferencia, mas também aquilo que nos aproxima. Porque entre português e espanhol, samba e salsa, pão de queijo e arepas, existem histórias de família, coragem, trabalho e pertencimento que se reconhecem.
Da redação


