“Doutora, existe alguma coisa que possa devolver a energia que eu tinha antes?” Essa pergunta aparece com frequência entre mulheres que atravessam rotinas intensas, mudanças hormonais, noites mal dormidas e diferentes fases do envelhecimento. Nos últimos anos, uma sigla passou a ocupar espaço nessas conversas: NAD+. Ela costuma ser apresentada nas redes sociais como uma novidade capaz de melhorar energia, foco, metabolismo e longevidade. A ciência, porém, pede uma explicação mais cuidadosa.
NAD+ é a abreviação de nicotinamida adenina dinucleotídeo. Embora seja frequentemente divulgado ao lado das chamadas terapias com peptídeos, o NAD+ não é um peptídeo. Trata se de uma coenzima encontrada naturalmente em todas as células do organismo. Ela participa de reações essenciais para transformar nutrientes em energia, auxilia mecanismos de reparo celular e integra processos relacionados ao metabolismo e à resposta ao estresse celular.
Os níveis de NAD+ e o funcionamento das vias que o utilizam podem mudar com a idade, doenças e alterações metabólicas. Essa relação despertou grande interesse científico. Em estudos de laboratório e com animais, aumentar a disponibilidade de NAD+ ou de seus precursores produziu resultados promissores em algumas áreas. O ponto importante é que descobertas pré clínicas não equivalem automaticamente a benefícios comprovados em seres humanos.
O que já sabemos e o que ainda precisa ser comprovado
Pesquisas em humanos demonstram que alguns precursores do NAD+, como a nicotinamida ribosídeo e o mononucleotídeo de nicotinamida, podem aumentar determinados marcadores de NAD+ no sangue. Ainda assim, elevar um marcador biológico não significa necessariamente produzir melhora perceptível ou duradoura em energia, memória, desempenho físico, controle de peso ou envelhecimento.

Uma revisão científica publicada em 2026 encontrou ausência de estudos clínicos de desfechos elegíveis que comprovassem o NAD+ intravenoso ou intramuscular para finalidades gerais de antienvelhecimento e bem estar. Existem estudos pequenos sobre metabolismo, absorção e tolerabilidade, mas eles ainda não permitem prometer resultados clínicos amplos. Por isso, expressões como “rejuvenescimento celular”, “energia imediata”, “detox” ou “reversão do envelhecimento” devem ser vistas com cautela.
Isso não significa que o NAD+ não tenha potencial. Significa que existe uma diferença entre uma área de pesquisa biologicamente interessante e um tratamento com benefícios já estabelecidos para todas as pessoas. A decisão clínica precisa considerar essa diferença com transparência.
A forma de administração também importa
Produtos apresentados como NAD+ podem variar quanto à formulação, via de administração, concentração, origem e controle de qualidade. Medicamentos manipulados não passam pela mesma avaliação prévia de segurança, eficácia e qualidade exigida para medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration. Em 2024, a agência informou ter recebido relatos de reações após o uso de produtos injetáveis de NAD+, incluindo calafrios intensos, tremores, vômitos e fadiga. Alguns casos foram compatíveis com níveis excessivos de endotoxinas, o que reforça a importância da procedência, da preparação estéril adequada e do acompanhamento profissional.
Prescrição médica, por si só, não transforma uma terapia experimental em tratamento comprovado. O papel do profissional é avaliar a paciente, explicar o que se conhece, reconhecer as incertezas, revisar condições de saúde, medicamentos e possíveis riscos, além de discutir alternativas com evidências mais consolidadas para cada sintoma.

Energia baixa merece investigação, não apenas uma promessa
Cansaço, dificuldade de concentração e redução da disposição podem estar relacionados ao sono, estresse, anemia, tireoide, deficiência nutricional, perimenopausa, menopausa, alterações de glicose, saúde emocional, efeitos de medicamentos ou outras condições. Antes de atribuir tudo a uma suposta deficiência de NAD+, é essencial compreender o contexto completo da mulher.
Na Women’s Integrative OBGYN, estamos preparando a introdução do NAD+ dentro de uma proposta de cuidado médico individualizado. Isso significa que a conversa começa antes da prescrição. A avaliação permitirá discutir expectativas realistas, adequação clínica, forma de uso, qualidade do produto e limites atuais das evidências. Nem toda paciente será candidata, e os resultados individuais podem variar.
O interesse pelo NAD+ nos convida a olhar para a saúde celular, mas também oferece uma oportunidade de fazer uma pergunta mais ampla: o que o corpo está tentando comunicar quando a energia diminui? A resposta raramente cabe em uma única substância. Ela costuma surgir quando ciência, escuta e cuidado personalizado caminham juntos.
Na Women’s Integrative OBGYN, sabemos o quanto um cuidado personalizado é importante para a mulher imigrante. Aqui, você encontra uma equipe bilíngue, acolhedora e pronta para acompanhar sua jornada com respeito à sua história e às suas escolhas. Não espere os sintomas aparecerem. Cuide se hoje, com amor e prevenção.
Referências consultadas
U.S. Food and Drug Administration. FDA Reminds Compounders to Use Ingredients Suitable for Sterile Compounding. 2024. Gallagher C. e colaboradores. NAD+ supplementation for anti aging and wellness: a systematic review of human clinical evidence. 2026. PubMed PMID 41655607.Grant R. e colaboradores. A Pilot Study Investigating Changes in the Human Plasma and Urine NAD+ Metabolome During a 6 Hour Intravenous Infusion of NAD. Frontiers in Aging Neuroscience. 2019. Freeberg KA e colaboradores. Dietary Supplementation With NAD+ Boosting Compounds in Humans: Current Knowledge and Future Directions. 2023.

Dra. Stacey Pereira, MD
Obstetra, Ginecologista e Cirurgiã
Deborah Pereira, PA-C
Women’s Integrative OBGYN & Wellness
womensintegrativeobgyn.com


